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As Dores da Adolescência

O período da adolescência é marcado por várias transformações: tanto físicas, psíquicas, quanto sociais. E isso, não é sem consequências, tanto para o menino quanto para a menina.

 

Nesse período eles “gritam” para o mundo suas dores, que aparecem através da agressividade, rebeldias, enfrentamentos com figuras de autoridade (pais e professores) e outras vezes (cada vez mais) seus sofrimentos são mostrados e sentidos através do corpo.

 

Sintomas esses que aparecem, como anemias, gripes, pneumonias quanto outras que são mais graves ainda: transtornos alimentares (anorexia, bulimias), problemas com drogas, ferimentos no corpo, depressões, isolamento.

 

Todo esse mal contemporâneo são algumas formas de demonstrar que “algo” não está bem.

 

Quando recebemos esses adolescentes no consultório, nos deparamos com sujeitos frágeis, que nos dizem não saber o que fazer para aceitar essa nova posição na vida: “não sou mais criança”, mas ainda se sentem, às vezes, “como uma…” dizem-nos.

Quando constatam que seu corpo cresceu, “e agora o que fazer?

Que curso escolher, “Que parceiro?”, se até agora o pai e a mãe bastaram?

Eram suas referências, bússola que os orientavam no mundo.

 

Deparam-se muitas vezes com pais que também sofrem (cada um com o que lhe cabe) que ficam aflitos diante de inúmeras mudanças dos filhos.

E muitos adolescentes se perdem nessa “passagem para a vida adulta”, pois se recusam a abandonar o mundo das “fadas e dos príncipes encantados”…ou das “certezas e escolhas dos pais”.

 

Muitos pais que ainda tem um de seus “pés” na própria adolescência e assim, não suportam ver que seus filhos não são mais crianças, “menino ou menina”, e como consequência, podem fazer suas próprias escolhas.

 

Mas, não se trata de culpá-los e sim ajudá-los…, pois muitas vezes os próprios pais estão “perdidos”.

 

Não se trata de culpar quando um jovem tem um comportamento como esse e sim dar lugar para que ele fale sobre suas dores e sofrimento.

É necessário um tempo para que se fale do “não sentido”, do “sem sentido de sua vida”, de suas dúvidas, para que se possa encontrar uma outra forma de estar no mundo, com menos dores.

 

É falando de suas dores de crescimento, que os adolescentes podem fazer o luto do corpo infantil que “perderam”, do lugar que ocupavam e da imagem que tinham de seus pais. E assim, podem investir em experiências que lhe tragam bem-estar em vez de experiência que os aproximam da destruição e da morte.

 

Na infância eles eram orientados pela “certeza” do desejo de seus pais, que determinavam o que tinham que fazer, na adolescência “perdem” essa “bússola” e atravessam um “mar” de dúvidas e sofrimentos.

Quando o adolescente inicia um processo psicoterapêutico, ele começa a deslocar os seus sintomas.

Passa a se apropriar deles e dar outro sentido para sua vida. Acha o seu lugar no mundo, se posiciona diante dos atravessamentos contemporâneos, e se coloca no mundo adolescente de forma saudável.

 


AUTORA PSICÓLOGA JÉSSICA PIAZZA

 

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